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Em si mesmo

Quando as brumas do sono dissipam só me resta o que sinto.

O que sinto?

Chega de.

A saudade é uma estrela cadente. Quero eu beber seu brilho quando posso apenas vê-la riscar o céu noturno.

O que não é passado

A saudade é um arrepio na alma. É quando ela está inteira e mesmo assim lhe falta um pedaço. A pele formiga, pois antes recebia o toque. Os lábios retorcem, pois já provaram os beijos. Nas mãos a memória dos gestos que antes faziam carícias.

Vida em comunidade

Quando não estou mais sozinha com minhas idiossincrasias o meu continua sendo meu, mas já consigo me sentir bem-vinda em um oceano maior.

Minha cama

Os melhores amantes são os livros.

multiverso

Você sendo nuvem que cintila e evapora é muito diáfana para esse tapete de estrelas que teço com afinco e que teço para que brilhe eternamente.

Os lados

O silêncio às vezes é paz, às vezes é abismo.
Às vezes é um recuperar-se, às vezes é espera solitária.
Às vezes é contemplação, às vezes é dúvida.

E se eu conseguir ficar só com o que é bom? Ponte sobre o abismo. Mãos dadas a esperar. Tranquilidade diante do não dito.

Ouvidos moucos de um coração que compreende

Dos teus silêncios primeiros deixei tomar-me de incompreensão e medo, mas a lembrança dos carinhos mudos me apaziguaram.
Hoje o sentimento fala alto. O que é uma palavra perante o beijo? Quantas sílabas há no sorriso... E o cheiro da pele na roupa que desperta memórias, qual o som do cheiro?
Dos teus silêncios de agora e dos meus excessos de sempre teço a delicada renda do encontro.

O Compromisso

Nos momentos que a paixão nubla o cérebro e o desejo faz nossos corpos dançarem, lhe quero ao meu lado me fazendo promessas de eternidade.
Nos dias de alegrias esparsas em que as horas lentas me torturam, lhe quero ao meu lado. Há em mim uma certeza que tudo ficará bem, mas existe um encanto diferente quando me vejo refletida na íris do seu olho e lá percebo meu sorriso.

Escrevi isso há tanto tempo...

Da minha loucura nasceram jardins.
Da minha dor fiz lagoa, nadam os peixes.
Da solidão brotaram pensamentos que me fizeram nova, renasci.
Da lágrima fiz limpeza, líquido balsâmico.
Do grito fiz silêncio brando.
De tudo o que passou fiz aprendizado, sou caminhos.
The Value of Suffering por Daehyum Kim

et Pierrot.

Borboletas.
Borboletas invisíveis
e tamborilantes.

Carnaval no meu estômago...

Musings (tryin' to get to heaven)

Talvez meu amor À Psicologia seja puramente teórico. Vontade de ler, de conhecer, de estudar, de articular teorias com a minha visão de mundo, de homem, de mulher.
Talvez a prática não me excite tanto e eu vou ter que aprender a aceitar isso e a não me esconder em meias-sentenças que maquiam minha decisão. Estudei todo esse tempo para continuar na teoria? E daí?
Estranho né, eu acho. E se os outros me cobram qualquer coisa, certamente eu sou quem me cobra mais. 
Quando comecei a faculdade nunca pensei que estaria hoje ocupando este lugar inusitado, mas, sabe, estou feliz. Com uma ponta de culpa (ah! a culpa de qualquer e toda coisa que nunca me larga...), alguma indecisão e dúvida, mas feliz. E se há felicidade, mesmo no meio de todo o resto, então dá para continuar.

Rumo certo

Esse ano tomei umas decisões difíceis que até serem tomadas renderam momentos de angústia. Terminei uma pós que gerou outros tantos conflitos emocionais, existenciais e alguns outros ais, mas ampliou muito meu entendimento teórico, profissional e pessoal.
E de todas as reflexões, retrospectivas e introspecções que eu fizer o que grita, ecoa é ESTOU TRABALHANDO EM UMA LIVRARIA. Sério, a grande saga de minha vida adulta foi (e é, afinal ainda vivo) me encontrar profissionalmente, não ser uma ameba que fica na internet o dia inteiro e posso dizer confiante, depois de tanto tempo, que estou feliz com o que faço. I'm leaving the dream, baby! Quando criança eu queria muito, muito mesmo, morar em uma livraria, como hoje entendo que isso não é viável (além de ser muito feliz no meu aconchegante lar), eu estou trabalhando em uma!
Não sei se vou fazer isso para sempre, só sei que vou aproveitar enquanto não decido qual será o próximo passo. Não quero me afastar da minha área de formação, como não estou tão empolgada em atuar na Psicologia, namoro com a idéia de continuar produzindo na teoria, tenho que redigir meu artigo científico como trabalho de conclusão de curso e pretendo continuar explorando a temática que escolhi (um dia escrevo sobre).
O saldo é: satisfeita com as decisões que tomei, ter o gostinho de estar fazendo o que eu quero e não que outros esperam de mim ou gostariam que eu fizesse, é uma baita conquista.

Embora possa parecer, esse post não é motivado pelo findar do ano e sim pela cara de "putz, que chato" que uma pessoa fez quando eu disse não estar trabalhando na área, quando eu sinto exatamente o contrário. Isso me lava a outra reflexão em relação a esse model de trajetória de vida considerado "normal". Estudar bastante, ir para a faculdade, sair da faculdade empregando, ganhando muitos dinheiros na área escolhida. Mas isso talvez possa ser um outro post...

Projeto

Quando eu tiver acumulado um montão de anos na minha bagagem, quero ser uma velinha e não aquela velha rabugenta. Espírito leve, mesmo se o corpo se curvar, cedendo mais e mais à gravidade. 
Se minhas articulações estiverem doloridas, a pressão arterial alterada e a visão mais embaçada, quero ser saudável no sentimento.
Olhar para meus vividos com saudade, carinho e gratidão e quando o último suspiro chegar, deixar minha consciência voar, voar.

Inesperado

De um toque
veio uma faísca,

incêndio!

flô

Sua voz é como uma
marola mansinha
que acaricia a praia.

Minha alma sorri.

Do sofrimento e da recuperação.

Eu tinha uma pele
que mantinha meu contorno,
mas a chuva levou.

Quem me representa?

Me dê linha e agulha,
por favor. Obrigado.
Reagrupo-me. Ponto
após ponto.

Sutura sem anestesia,
conquista doída. Arfo.
Arfo, arfo. Hesito e
Recomeço.

Liquefy


I caught your fear
with my heart.

It all when dark.

You and me. Will we
survive this?

Shed a tear;
shine a light,
Leave the shadows
behind.

Save us.

Devour


Love me
Don't love me.

Eat me with a
fork
and a knife.

Leave a scar
that'll
match
the
pain.

Leave.

É que,


O que vai ser de mim, meu Deus? Às vezes me sinto transportada para uma realidade kafkiana onde me transformei em uma criatura que não cabe mais na sociedade, um ser inadequado para a época. Não que eu seja uma bicho asqueroso que ninguém quer por perto, muito pelo contrário, sou bem-vinda à vida de muita gente. É que o que eu vejo lá fora, na paisagem, nas pessoas convivendo e sobrevivendo não combina muito com o que eu vejo dentro de mim. Não combina, não encaixa.
Talvez eu seja só uma menina mimada, alguém delirante. Covarde, assustada. Talvez eu vim de outro planeta e o Governo destruiu todas as evidências e substituiu algumas de minhas memórias. Talvez eu esteja na Matrix.Eu só acho que tenho que aprender a viver logo senão essa realidade me esmaga...
post pós tpm