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Cadê foco?

Eu estou com 7 livros começados (e lendo com mais frequência 3 deles),comprei dois caderninhos para escrever sei lá eu o que (receitas vegetarianas, talvez. Ou sobre comidas e suas funções medicinais), volto e paro, volto e paro, volto e paro de estudar Russo. Vários links salvos no facebook de receitas e diy's que nunca abro.
É tanta coisa que quero fazer, mas não me organizo e acabo não saindo do lugar, se saio é a passos de tartaruga. 


Uma decepção

Tem o corretor ortográfico do celular né? Então vamos lá. Esse bendito muitas vezes não só corrige a palavra como já mostra, intuitivamente, uma próxima palavra que provavelmente vai completar a sua frase. Beleza, isso às vezes é bacana principalmente para algumas frases que eu uso bastante. Porém, em outras ocasiões, é bem fail.
Estava prestes a publicar um snap, coloquei a legenda me gusta, o corretor arrumou para Gustavo e sugeriu Lima como próxima palavra a ser escolhida. Oi? Anos de convivência comigo e é isso que ele faz? Será que eu tenho que importar meu histórico do last.fm para essa entidade compreender o tamanho do erro?

Escrevi isso há tanto tempo...

Da minha loucura nasceram jardins.
Da minha dor fiz lagoa, nadam os peixes.
Da solidão brotaram pensamentos que me fizeram nova, renasci.
Da lágrima fiz limpeza, líquido balsâmico.
Do grito fiz silêncio brando.
De tudo o que passou fiz aprendizado, sou caminhos.
The Value of Suffering por Daehyum Kim

Beckett, esse doido querido.


Li a apenas um livro e meio até agora. Nem meio posso dizer, estou no comecinho de Molloy e li Murphy ano passado. Mas a sensação é mais ou menos a mesma. Quando comecei a ler ambos fiquei com uma profunda sensação de hã?!. Ele tem uma escrita diferente do que tenho lido até agora. Especialmente em Molloy parece que ele desembesta a falar e é preciso entrar nesse ritmo maluco para conseguir entrar no bonde.

Depois de me familiarizar com o estilo de Samuel Beckett é só alegria! Fiquei encantada com as histórias, gente simples, decadente até, mas descritas de uma forma tão diferente que fascina.

Depois de um dia puxado de trabalho acho que meus neurônios não conseguem formular mais nenhuma frase inteligente, então vai aí um ctrl C ctrl V sobre Samuel e as obras citadas...

Samuel Beckett foi um dos fundadores do teatro do absurdo e é considerado um dos principais autores do século 20. Sua obra foi traduzida para mais de trinta idiomas.
Recebeu o Nobel de Literatura de 1969. Utiliza nas suas obras, traduzidas em mais de trinta línguas, uma riqueza metafórica imensa, privilegiando uma visão pessimista acerca do fenômeno humano. É considerado um dos principais autores do denominado teatro do absurdo. Sua obra mais famosa tanto no Brasil como em Portugal é a peça Esperando Godot.

Um dos melhores romances de Samuel Beckett.

'Molloy' divide-se em duas seções. Na primeira, é o próprio Molloy, o 'narrador-narrado', quem fala; na segunda, é Moran, homem encarregado de vigiá-lo. A história que os dois - cada um à sua maneira - tentam registrar, é a das idas e vindas de Molloy, num vai-e-vem que alterna lugares abertos e fechados, a partir do apartamento de sua mãe - e que mimetiza os impasses das frases curtas e da própria linguagem. O livro caracteriza-se pelas ações dramáticas que apresenta, incluindo um caso de amor e um de morte. Mas a verdadeira 'ação', tratando-se de Beckett, está na própria linguagem - ainda que seja a de comunicar a incomunicabilidade moderna. 

Primeiro romance publicado pelo autor de Esperando Godot, a narrativa acompanha a vida do anti-herói Murphy e sua companheira, a prostituta Celia. Uma trupe de amigos irlandeses os segue até Londres. Celia quer casar-se com Murphy e o convence a procurar trabalho. Num sanatório, o protagonista emprega-se como enfermeiro e descobre no cotidiano dos doentes uma vida mais atraente que a de fora. Murphy prefigura o humor negro e a falta de sentido da existência que são as marcas do estilo maduro do autor.

Minha eterna saudade de ler Kafka

Sabe, não previ ser tão apaixonada assim por Franz. Para ser sincera, na maioria das vezes, não é uma leitura fácil, fluida, mas acho que esses não são fatores necessários para um gênio. 
Quando li O Processo me senti sufocada, chateada e indignada e penso que são exatamente esses sentimentos que a história de uma pessoa que está sendo processada sem saber o motivo e, portanto, sem saber de que forma se defender, deve provocar. Alguém num labirinto jurídico sem fim.

Em A Metamorfose achei brilhante como uma idéia absurda e, de certa forma simples - um homem que se transforma em inseto - pode conter críticas tão profundas à natureza humana.

Li histórias curtas como Um Artista da Fome, Uma Mulherzinha, A Construção... em todas, aquela atmosfera tão peculiar, tão kafkaesca. Eu não sou uma profunda conhecedora dos trabalhos de Franz para caracterizá-lo com palavras rebuscadas cheia de sentidos interessantes. Mas acho que isso é uma das coisas que me fazem gostar da escrita dele. Ele não é previsível.

Em uma história ele descreve a rotina de um artista que não se alimenta e que faz disso uma espécie de espetáculo, um outra um homem fala de uma mulher que antipatiza com ele sem motivo aparente.N'A Construção o personagem constrói uma grande estrutura subterrânea. Claro, estou sendo simplória ao descrever os enredos dessa forma, mas é puramente para ilustrar quão variada são as direções para onde ele nos leva.

Enfim, estou sempre lendo e no momento em que termino quero mais.

Recomendo os clássicos A Metarmorfose e O Processo, tem também essa edição linda da Revista Cult sobre ele.

Vita Nostra

E o Sol gira
até virar
flor.

et Pierrot.

Borboletas.
Borboletas invisíveis
e tamborilantes.

Carnaval no meu estômago...